Blasthrash - "metal brasileiro sem preconceitos"

Por Demma K.

Formado em 1998, o grupo Blasthrash estava no meio de dois extremos do metal (de um lado o heavy melódico e de outro o death/black metal) que alcançavam seu auge comercial, fazendo muitos acreditar que estilos como o heavy tradicional e o thrash metal haviam se perdido na década de oitenta.
Depois de algumas tentativas frustradas, nos últimos meses de 2000, Dario Viola (Vocais/Guitarra) encontrou em Paulo Oliveira (Bateria), Diego Nogueira (Baixo) e Felipe Nizuma (Guitarra) a força necessária para gravar a aclamada demo-tape Beer and Mosh.
Ainda antes de lançar um álbum, o grupo foi convidado para tocar em Assunção, capital do Paraguai, evento disputadíssimo pelos bangers daquele país, onde o som do Blasthrash conquistou uma fiel legião de apreciadores.
Sempre fiel ao estilo, o Blasthrash atinge um novo degrau de sua evolução com o lançamento do CD No Traces Left Behind, trabalho que resgata a aura do Thrash Metal e que leva o ouvinte direto à Bay Area lá pelos idos de 1987, lembrando bandas como Nuclear Assault, Exodus e Violence.
Após a gravação do álbum, Rafael Sampaio (ex-Death Cover) assumiu as baquetas, trazendo um novo gás e um bom background para o Blasthrash, que está preparando para breve sua primeira turnê pelo Nordeste e Sul do país.
Nesta entrevista exclusiva conversamos com Diego Nogueira, que conta um pouco das aventuras musicais desta garotada jovem e talentosa e que promete ser uma das novas vozes do Thrash Metal tupiniquim.

01 - O som do Blasthrash é uma pura fusão de estilos pesados do metal, quem foram às bandas que mais lhe inspiraram?
As que mais nos influenciaram com certeza foram as do Thrash Metal anos 80 como Slayer, Nuclear Assault,Vio-lence, Kreator, Possessed e bandas de outros estilos, como de Death Metal do começo dos anos 90 como Dismember, Entombed, Death, E Terrorizer e Punk/HC dos anos 80: Agnostic Front, Misfits, e Crossover como o DRI, Suicidal Tendencies e Ratos de Porão.

02 - Nos anos 80 grupos como o lendário Venon já faziam um som ultra pesado, o Blasthrash teve alguma influência musical desta época?
Com Certeza!!! Eles são a nossa maior influência, na nossa opinião, foram estes os anos mais importantes para o Heavy Metal, pois as grandes bandas estavam se formando, e definindo sua sonoridade. E se não fossem essas bandas, o Blasthrash não existiria.

03 - E sobre os grupos de hard core pós Sex Pistols como o Discharge, Anti Nowhere League e em especial dos paises nórdicos como o Tervet Kadet, Lama, Razzia, Toxoplasma por exemplo, vocês já chegaram a ouvir esse tipo de trabalho?
Sim, somos fãs desse tipo de banda também! Elas são com certeza uma influencia para nós, a origem do Thrash Metal vem da mistura do HC com o Heavy Metal!! Principalmente bandas como o Discharge, GBH, Exploited. As brasileiras também: Cólera, Lobotomia, Ação direta, Armagedom, Ratos de Porão (os heróis do crossover brasileiro!!!). E somos fãs dessas bandas finlandesas também. Alias, a Finlândia, é um lugar que a galera aceitou bastante nosso som !!!

04 - Nos anos 80 existia uma grande rivalidade entre grupos de metal, hard core e punk, isso ainda existe?
Hoje em dia isso é bem menor, mas Infelizmente ainda existe. Esse lance de separação de estilos, causou muitas brigas, e até mortes nos anos 80. Eu acho uma besteira! Já deixamos de ver diversos shows de bandas HC que curtimos por causa das "tretas". E de uns anos para cá, a galera desse meio tem nos aceitado mais. No final de junho/2006 tocamos num evento chamado "Verdurada", que é organizado pelo Juninho (Ratos de Porão), e foi bem bem legal, pois mistura bandas dos estilos mais diversos: do Instrumental ao Grind Core. Estamos muito felizes, pois curtimos muito esse tipo de show!! a galera agita muito!!!

05 - O Brasil é um país tropical e que tem um significativo numero de grupos de metal que fazem sucesso no exterior, porque isso acontece? O que tem de especial o metal verde amarelo?
Simplesmente o metal brasileiro é um dos mais "fodas" do mundo...Cara, nós recebemos e-mails do mundo todo quando nosso cd saiu, e é impressionante a aceitação do metal brasileiro em outros paises... A galera pira mesmo, mas falta um pouco a galera daqui tomar consciência disso (não só os Headbangers, quanto quem organiza os shows). Somos um povo humilde, raçudo. O Sepultura chegou aonde chegou não só por que são bons, mas por que lutaram muito. Na época do lançamento do "Beneath the Remains" foram considerados por alguns melhor que o "Reign In Blood" do Slayer, que é considerado o melhor disco de Thrash Metal de todos os tempos. Temos o Krisiun que é a maior banda de Death Metal extremo do mundo, e o Torture Squad, que acabou de voltar de sua segunda tour pela Europa, além de ótimas bandas que nosso país tem. É só a galera enxergar isso.

06 - E como foi a forte aceitação do Blasthrash no festival em Assunção no Paraguai? Vocês esperavam tal resultado?
Essa viagem foi uma loucura...quase um dia de viagem, mas valeu a pena, pois fomos bem recebidos. O povo paraguaio é muito caloroso. Nós demos uma entrevista em um programa de radio, e ao mesmo tempo rolava o nosso som em outras emissoras. E o show foi espetacular.Os Headbangers de lá são malucos e foi muito divertido. O que o pessoal da banda mais curtiu foi o fato da cerveja ser de um litro...(risos) Para mim não fez diferença alguma, pois eu não bebo mesmo...(mais risos!!)

07 - Aonde foram os melhores shows da banda?
Com certeza esse de Assunção foi muito foda, mas também teve o show no Slaughter Fest no Rio de Janeiro, que foi uma luta só para chegarmos até lá, e durante o show rolaram umas tretas, mas mesmo assim foi ótimo. E Alguns shows pelo Interior de SP, como São José dos Campos, Campinas, Piracicaba. Sempre quando vamos para o Interior do estado é muito bom.

08 - Como vocês tiveram contato com as cordas Elixir® Strings?
Eu trabalho em uma loja de Instrumentos musicais na Teodoro Sampaio, isso já ajudou um pouco. Eu toquei em algumas guitarras e baixos com cordas Elixir® Strings e me surpreendi com a mudança nos timbres. Eu, que sou baixista, senti a diferença tanto nas palhetadas, quanto nos slaps também. A partir disso decidimos tentar um contato com a Elixir® Strings para uma parceria. Eu já sabia das parcerias com o Korzus e Shaaman. Eles aceitaram e estamos muito felizes com isso, pois para nós músicos é muito importante ter bons acessórios que facilitem nosso trabalho. A Elixir® Strings é uma prova disso.

09 - O estilo musical do Blasthrash exige fortes palhetadas nas bases das músicas, quanto tempo os encordoamentos tem durado em média?
Tem durado bastante. As de guitarras uns 3 meses. Sendo que, antes duravam cerca de um mês, devido ao grande volume de ensaios e shows chega ser impressionante. As cordas de baixo são as que mais duram. Estou com um encordoamento no meu baixo há uns 6 meses, e o timbre é praticamente o mesmo e sem contar que não estouraram, coisa que não é difícil de acontecer na minha mão (risos).

10 - Qual o calibre de cordas vocês usam?
Tocamos afinados em E Bemol, usamos .010 (Guitarra) e .O45 (baixo), pois elas são mais próprias para nossa afinação, e dão mais peso as guitarras.

11 - O que acharam das novas cordas Elixir® Strings Anti Rust?
Gostamos muito, pois além de não oxidarem nunca, seguram muito bem a afinação, isso é muito importante para nós. Não tem coisa pior do que a guitarra desafinar no meio de uma musica.

12 - Qual os novos planos da banda?
Tocar, tocar, e tocar!!!! é o que mais gostamos de fazer. Faremos uma pausa no mês de agosto, pois minha filha vai nascer nesse mês. Depois voltaremos a todo o vapor, além disso planejamos filmar um Vídeo Clip. Provavelmente para musica "Psychotic Minds" (que estará na coletânea da Elixir® Strings). Além de uma provável tour pelas regiões Norte e Nordeste do Brasil no próximo ano. Após toda essa loucura, vamos entrar em estúdio para a gravação do próximo disco!!

13 - Como foi gravado o cd No Traces Left Behind?
Com dificuldades e suor pois foi muito complicado. Enfrentamos muitas dificuldades no processo da gravação, alguns lances engraçados como uma "certa" dupla sertaneja que pagou 25 vezes o valor da nossa gravação e pegou todos os horários disponíveis...(risos). Não foi á toa que demoramos 14 meses gravando esse disco. Mas o resultado foi acima do esperado, ficou exatamente do jeito que queríamos, nós co-produzimos o disco, então tivemos maior liberdade para mostrar como queríamos os timbres dos instrumentos e da gravação em si. Claro que sempre tem uma coisa aqui ou ali, depois de pronto se pensa em mudar ou acrescentar. Adquirimos uma certa experiência nessa gravação, e trabalharemos muito, para nosso próximo ser melhor que o "No Traces"...!!!

14 - Deixem alguns conselhos aos metaleiros que visitam o site da Elixir® Strings América Latina...
Para as bandas: Lutar muito e sempre!! o Heavy Metal, apesar de ser menos marginalizado que antigamente, sofre muito preconceito da mídia, isso dificulta o nosso trabalho. Mas essas dificuldades que nos dão vontade de lutar. Por isso, gravem suas demos, toquem nos "Botecos" da vida, e sejam determinados em seus ideais. Nós mesmos já nos privamos de muitas coisas em nossas vidas. Agora está valendo a pena, pois estamos começando a colher os frutos de nosso trabalho, sorte a vocês. E aos Headbangers: valorizem o metal brazuca galera, tem muita banda do nosso país que dá um cacete nas bandas gringas, então comprem os cds de bandas nacionais, comprem Fanzines, usem camisetas das nossas bandas. A cena brasileira é uma das maiores do mundo, mas infelizmente falta a alguns brasileiros perceberem isso. Espero vocês em nossos shows para "bangear" bastante e divertir-se!!! Abraços à todos.



Visite o site: www.blasthrash.com

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