Felipe Andreoli

A música entrou na minha vida muito cedo. Em casa, a minha mãe me ensinou a gostar de boa música, e sempre gostava de me mostrar os discos, as letras, e me apresentar coisas novas. Foi assim que conheci bandas como Supertramp, Yes, Emerson, Lake and Palmer, Led Zeppelin e muitas outras. Foi ela também que me comprou o meu primeiro disco, o vinil do Red Hot Chili Peppers, Blood Sugar Sex Magic. Nessa época, através dos amigos do prédio, comecei a descobrir o Heavy Metal. A primeira banda que chamou minha atenção foi o Metallica. Era a época do Grunge, e bandas como Alice in Chains e Soundgarden eu ouço até hoje. Na escola, o pessoal começou a tocar violão, guitarra, e isso de alguma forma despertou meu interesse.
E foi em 1992, em Juqueí, litoral paulista, que eu tive o primeiro contato com o violão. O meu amigo André Brunetti também estava aprendendo a tocar, pois o pai dele, César, é músico. E foi ele, César, que me colocou pela primeira vez o violão no colo (sim, no colo, já que eu e o André tocávamos como se fosse uma guitarra havaiana de Ula-ula!). A primeira coisa que eu aprendi foi o “riff” de La Bamba. Daí por diante cresceu o interesse, e logo meu pai se viu obrigado a me comprar um violão e pagar umas aulas.
Na escola, meus amigos tinham formado uma banda, onde só faltava o baixista. Sabendo que eu também tocava, me convidaram a assumir o posto, e também os vocais. Na mesma semana comprei meu primeiro baixo, um Dolphin usado de 80 dólares! Depois de umas duas semanas de ensaio a banda se apresentou na Escola Uirapuru. Nós tocamos covers de Led Zeppelin a Barão Vermelho.
Pouco depois formei a minha primeira verdadeira banda, o Holocaust, onde eu, o André (na bateria) e o guitarrista Marcelo Cortez tocávamos basicamente Metallica, e alguma coisa de Megadeth, às vezes até arriscando Emotional Catastrophe, do Dr Sin, uma das minhas bandas preferidas. A minha idéia original para essa banda é que eu tocasse bateria e o André baixo, mas como foi ele que comprou a bateria, tinha todo o direito de não aprovar minha idéia... A partir daí, toquei em incontáveis bandas, de diferentes estilos, mas desisti de cantar, por motivos óbvios.
As influências também foram se renovando, e a minha vida realmente mudou depois de ouvir Yngwie Malmsteen. Para quem achava que Kirk Hammet era Deus (sem desmerecê-lo, é claro), aquele foi um choque tremendo! Eu simplesmente não acreditava que aquilo era possível! Isso me despertou para estudar coisas novas, ampliou minha visão sobre a música e a maneira de abordar o instrumento. Daí pra frente muitas outras influências surgiram, e talvez a principal delas tenha sido o Dream Theater, com os discos Awake e Images and Words. A complexidade instrumental, as harmonias, tudo aquilo me apresentou uma gama totalmente nova de possibilidades. Eu cheguei a tirar de ouvido todas as músicas desses dois discos e mais algumas de outros discos. O próximo grande baque veio com Jaco Patorius. Foi aí que o baixo solo realmente começou a fazer sentido pra mim, e foi uma época em que eu me voltei para o improviso e para o Jazz Fusion.
O primeiro (e único) professor de baixo que eu tive foi Ximba Uchyama. Comecei a ter aulas com Ximba em 1997, e ele me ajudou a desvendar muitos mistérios da música, e me apresentou baixistas que até hoje marcam sua influência no meu jeito de tocar. Foi a época em que eu descobri Victor Wooten, John Patitucci, Billy Sheehan, e muitos outros. Nesse mesmo ano conheci um guitarrista chamado Vandré Nascimento. Foi a primeira vez que tive a oportunidade de tocar com alguém capaz de fazer todas aquelas frases na velocidade da luz, e isso fez com que eu me esforçasse muito para alcançar o nível dele. Com Vandré e o baterista Renato Bon, formei a banda Metris, que foi o primeiro lugar onde havia espaço pra aplicar tudo o que eu tinha aprendido, todas as técnicas, o improviso, a composição, e muitas risadas.
Em 1999, recebi uma ligação do Marcell Cardoso, baterista do Karma, me convidando pra fazer um teste. Eu sempre tive vontade de tocar um som mais progressivo, e o Karma foi perfeito pra isso. A primeira vez que eu assisti ao ensaio, saí de boca aberta, pois não imaginava que houvesse uma banda nacional com nível tão alto. Eles estavam gravando o disco Inside the Eyes, e eu fui obrigado a aprender e gravar as músicas em tempo recorde! No fim desse ano (1999), o Marcos Cardoso, da gravadora Encore, me convidou pra participar de uma banda com o ex-vocalista do Iron Maiden, Paul Di´Anno. Em 2000 gravamos o disco Nomad, e fizemos sete shows pelo Brasil. Essa foi a minha primeira turnê, com os primeiros shows maiores.
Ainda em 2000, recebi uma ligação do André Brunetti, dizendo que gostaria de gravar uma demo com umas músicas que nós tocávamos a muito tempo atrás, e algumas novas. Eu sugeri a ele que nós gravássemos no Contato, estúdio do Thiago, vocalista do Karma. No decorrer do processo, o Thiago e também o Marcell do Karma, além do Mauro Chevis no teclado, tomaram parte no projeto, que no fim já era mais que uma demo. Tanto foi que, quando nós mostramos para o Marcos, da Encore, ele logo se prontificou em lançar o disco, intitulado "The Top of the Mountain".
No início de 2001, recebi um convite pra entrar no Angra. Eu fui indicado por várias pessoas que conhecia em comum com o Kiko e com o Rafael, e também pelo Aquiles Priester, com quem eu já tinha tocado junto na banda Di´Anno. E foi assim que, no dia 18 de fevereiro, ingressei oficialmente na banda. Daí pra frente foi muito trabalho, que rendeu e vem rendendo muitos frutos: quatro discos, um vídeo, um songbook, um DVD, dois tourbooks, mais de 150 shows em diversas partes do mundo, um vídeo-aula, e muito aprendizado e experiência.
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